|Resenha| Tudo e Todas as Coisas

Tinha ouvido muita gente falar bem desse livro e resolvi pegar ele na livraria enfim pra fechar o mês de maio com essa leitura. Não me arrependi nem um pouco! Muito pelo contrário, esse é um daqueles livros que não vai mudar a sua vida, mas é tão fofinho que aquece seu coração por dentro. <3

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Madeline Whittier é o que você mais conhece como a “garota da bolha”. É assim mesmo que ela descreve sua condição, como uma coisa rara que a impede de sair de casa. Ela possui uma Imunodeficiência Combinada Grave – IDCG, ou seja, ela não pode sair de casa por seu sistema imunológico ser falho e poder levar a menina a morte a qualquer momento se entrar em contato com algo que desencadeie uma série de doenças.

Assim, Maddy completou 18 anos e nunca viu nada do mundo além das paredes de sua casa. Ela passa os dias tendo aulas particulares online e alguns tutores são permitidos dentro da casa, desde que não toquem na menina e que aceitem passar por uma bateria de exames para garantir que não são contagiosos. Além disso, eles também devem passar por uma câmara de ar que teoricamente limpa todos os germes do corpo na porta da casa.

Maddy perdeu o irmão e o pai em um acidente de carro quando era ainda bebê, e hoje mora apenas com a mãe e tem a companhia da enfermeira Carla, que já se tornou sua melhor amiga, durante os dias.

Tudo isso muda quando chega uma nova família para morar na casa ao lado, e com eles, Olly. Ele é um menino da idade de Maddy que insiste em tentar falar com ela. Eles acabam se vendo pelas janelas de seus quartos e trocam emails. A partir daí, os dois começam a conversar diariamente e a rotina de Maddy vai mudando para se adaptar às suas conversas com Olly.

Pela primeira vez em muito tempo, desejo mais do que aquilo que tenho.

Mas mesmo percebendo que está se apaixonando, Maddy já prevê problemas à vista. Primeiro, sua mãe começa a desconfiar que algo esteja errado na vida da filha; depois, Olly insiste em querer ver a menina pessoalmente. Tudo isso junto com o problema de Maddy estar confinada à mesma casa durante a vida inteira. Mas será que sobreviver à sua doença é a mesma coisa que viver?

Eu era feliz antes de conhecê-lo. Mas agora estou viva. São coisas diferentes.

É um romance muito fofo entre Maddy e Olly que se desenvolve na medida certa. O livro todo é escrito com pouca narrativa, misturando emails, imagens, desenhos e até listas que Maddy faz. Isso tudo torna o livro muito mais rápido de ler e muito mais interessante ao mesmo tempo. Isso me lembrou um pouco Simon vs A Agenda Homo Sapiens e com certeza me fez amar o livro.

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A personagem de Maddy, além de tudo, é muito interessante. Isso se dá principalmente por ela não ter vivência de mundo nenhuma. Tudo o que ela sabe sobre se apaixonar, beijar, e até encostar em outras pessoas é o que ela lê em livros ou assiste em séries. Além disso, o livro é cheio de referências pops e modernas, feitas principalmente pela própria Maddy em busca de respostas para suas perguntas.

Olly, que inicialmente parece apenas mais um adolescente revoltado com a vida, também tem seu crescimento enquanto personagem e à medida que a narrativa flui, é possível perceber tamanha a maturidade do menino. Ele teve que lidar com coisas muito intensas e mudanças bruscas durante toda a sua vida e, mesmo parecendo um adolescente revoltado para a sociedade – e, acredite, ele tem direito de ser – ele ainda mantém toda a delicadeza e preocupação com a condição de Maddy.

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Por fim, é muito bom também ver as personagens crescendo, assim que Maddy vai descobrindo o mundo que há para fora de sua casa. Há também um toque sutil de drama psicológico, que eu acho que só adicionou à beleza inicial do livro. Apesar de eu ter previsto o final lá pela metade do livro, em momento nenhum tive vontade de largar e li tudo em uma sentada só.

Tudo e Todas as Coisas
Autora: Nicola Yoon
Páginas: 304
Editora: Novo Conceito

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