|Resenha| Peter Pan

Peter Pan é um daqueles livros que tem toda uma magia e aventura para crianças, mas que também tem uma mensagem linda que atinge os adultos.

Eu já tinha lido esse livro para a escola quando era criança e me lembro de ter gostado muito dele. Mas quando eu comprei recentemente a versão em inglês, eu não esperava me surpreender tanto com as mensagens maravilhosas que o autor passa.

IMG_8984

Todo mundo sonha. E quando se é criança, os sonhos ultrapassam os limites da sua vida e se tornam aventuras incríveis em lugares que você nunca vai alcançar. Esses lugares se chamam Terra do Nunca e cada pessoa possui o seu cantinho como imagina e é lá onde todas as suas visões de criança sempre vão estar.

O livro conta a história da única criança que não cresceu para abandonar esse lugar imaginário, Peter Pan. Depois de ter caído do carrinho de bebê, Peter fugiu para o único lugar onde os adultos nunca o encontrariam: a Terra do Nunca. Lá, ele mora com todos os meninos que caem de seus carrinhos e são abandonados pelas babás distraídas, os Meninos Perdidos.

Há uma família, porém, que possui um certo fascínio pelo eterno menino Peter: os Darling. Os três filhos, Wendy, João e Michael moram em Londres com os pais e passam os dias contando histórias fantásticas sobre suas próprias Terras do Nunca que incluem piratas, sereias e índios.

É em uma noite fantástica na qual todas as estrelas se alinham e que os pais saíram, que Peter Pan finalmente aparece no quarto das crianças e convida Wendy, João e Michael a voarem até a Terra do Nunca e viverem a maior aventura de suas vidas.

E como chegar à Terra do Nunca? Segunda estrela à direita, então segue direto até o amanhecer.
E como chegar à Terra do Nunca? Segunda estrela à direita, então segue direto até o amanhecer.

O livro todo é escrito com mensagens lindas sobre a importância de uma família e principalmente de uma mãe, que Peter Pan insiste em não querer. Também mostra como todas as fases da vida são diferentes e especiais e, por mais que ser criança seja libertador e não traga nenhuma responsabilidade, crescer e amadurecer também tem seus lados bons.

Gostei principalmente da forma como o vilão, Capitão Gancho, foi retratado. Ao contrário de muitos livros nos quais os vilões possuem simplesmente um ódio não declarado ou infundado pelos personagens principais, o Gancho na verdade é muito mais humano. Ele foi criado na Inglaterra do início dos anos 1900 e simplesmente não consegue aceitar a existência de Peter Pan pelo fato de o menino representar tudo o que vai contra os bons modos ingleses ensinados ao pirada quando era mais novo.

O mais incrível desse livro é ver a personalidade do Peter Pan. Ao mesmo tempo que ele possui características de criança, como a teimosia em crescer e aceitar comandos, ou mesmo a forma como leva a vida inteira em um faz-de-conta; Peter, mesmo que repudie com todas as forças a ideia de crescer, também tem algumas características de adulto, como a frieza que possui para lidar com certas situações. Imagino que isso aconteça porque ‘crescer’ não é necessariamente ir para a escola, trabalhar e casar, como Peter imagina, mas sim um processo de vivência e amadurecimento que mesmo uma criança que não envelheça possa experimentar.

Isso tudo também implica na imagem que J. M. Barrie cria das crianças que, por natureza, podem ser tanto boas e ingênuas como cruéis e insensíveis, assim como a personalidade fluida de Peter Pan. Cabe, então, aos pais (sendo que o autor dá uma importância maior à figura feminina – que eu não considero necessariamente justa) o papel de guiar e instruir as crianças em seu desenvolvimento.

IMG_8985

Todas as personagens possuem um brilho especial de fantasia e aquela inocência e curiosidade dos mais novos que deveriam permanecer nos adultos, nem que como apenas um lembrete de como eles foram. A narrativa também possui um quê de magia e é muito próxima à representada nos filmes da Disney.

Além disso, gostei muito de entender finalmente como é que algumas coisas funcionam de verdade na Terra do Nunca e que nunca foram muito bem explicadas pelos filmes. Por exemplo, quando as personagens estão na ilha, muitas coisas são feitas como na cabeça de uma criança, ou seja, de mentirinha, imaginado. Por causa disso, muitas vezes as crianças imaginavam que estavam jantando um majestoso banquete, mas na verdade não estavam fisicamente comendo nada.

É assim que funciona a parte do filme em que Wendy deixa um remédio para que Peter tome: ela coloca algumas gotas d’água para o menino tomar e descreve o gosto doce e textura viscosa do remédio e é assim que Peter imagina o líquido e o bebe com nojo.

No livro, as crianças perdidas são originalmente abandonadas no Kensington Gardens, em Londres, onde hoje há uma estátua do Peter Pan que entretem muitas pessoas. Lá, você pode ler o QR code com seu celular e conversar com uma mensagem gravada do próprio Peter Pan enquanto tira fotos com a estátua.

DSC_0334
A estátua do Peter Pan no Kensington Gardens, em Londres. <3

Uma narrativa construída entre a fantasia de Alice no País das Maravilhas e a beleza das mensagens do Pequeno Príncipe, Peter Pan consegue fazer qualquer criança ter vontade de abrir as janelas e sair voando para um lugar especial e qualquer adulto se conectar com sua criança interior e ficar também esperando na janela pelo punhado de pó mágico de fada.

J. M. Barrie é um autor escocês que criou o livro após a morte de seu irmão mais novo para confortar sua mãe e dar vida ao menino que vai ser eternamente uma criança. É um livro lindo que trata do relacionamento de filhos com as mães, da importância da imaginação quando mais novo e, principalmente, das grandes aventuras da vida: viver e crescer.

Peter Pan
Autor: J. M. Barrie
Páginas: 253
Editora: Zahar

9 thoughts on “|Resenha| Peter Pan

  1. Se o filme já é tão lindo, nem consigo imaginar o livro! E essa capa estilo lousa, ein? Maravilhosa.
    Boo, não sabia o motivo que provocou a escrita do livro, achei ainda mais emocionante. Acho que vou comprar um e dar a minha tia, porque tivemos uma grande perda recentemente.

    Beijos!

    1. Também fiquei apaixonada pela capa estilo lousa, Sarah! *-*
      Fico triste pela sua perda :/ mas acho um livro incrível e imagino que qualquer pessoa que tenha passado por algo parecido deva aproveitar ele muito mais.
      Beijos!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *