|Resenha| Passenger

Antes de começar, eu queria dizer que entrei nesse livro achando que ele não ia ter continuação. Esse livro foi lançado nos EUA em janeiro e deu muito o que falar. Todo mundo parecia ter gostado dele, então eu resolvi comprar logo mesmo e ver o que eu achava.

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Para começar, acho que a jacket dele resume muito bem a ideia que a autora quis passar e tudo o que ela quis misturar.

Passagem, s.
i. Uma breve seção de música composta de uma série de notas e floreios.
ii. Uma jornada pela água; uma viagem.
iii. A transição de um lugar para outro, através do espaço e tempo.

O livro conta a história de Henrietta, ou Etta, como prefere ser chamada. Uma violinista adolescente loira de olhos azuis que mora em Nova Iorque com a mãe e a professora de violino, Alice. Tudo começa no primeiro recital de Etta no museu onde sua mãe trabalha. A menina fica muito nervosa e, no meio de sua apresentação, passa a ouvir um barulho estranho que a faz sair do palco. Seguindo o barulho com uma das participantes, Etta encontra Alice morta no chão e ainda meio atordoada para entender a bagunça imensa que está acontecendo em sua vida, Etta é jogada em uma luz imensa e perde a consciência.

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Alguns dias depois, ela acorda em um barco pirata. Além de não estar mais no museu de onde se lembra, Etta parece também ter viajado no tempo. Agora em 1776, a menina procura qualquer vestígio de como foi parar ali e o que, afinal, está acontecendo em sua vida.

É no navio que ela conhece Nicholas Carter, o capitão. Ele é um homem negro com um passado muito intenso e sofrido que batalhou muito para chegar onde está hoje. Sua missão é levar Etta para Nova Iorque de 1776 para conhecer o tão comentado Ironwood.

Ao chegar, Etta descobre que faz parte de uma longa linhagem de viajantes no tempo e que sua família tem muito mais segredos do que ela poderia imaginar. Sua mãe havia escondido tudo dela durante a vida inteira e Etta se vê completamente perdida e desamparada.

Lá, a menina descobre também que sua mãe foi sequestrada por Ironwood, que promete deixá-la ir assim que Etta descobrir onde está escondido um objeto familiar muito antigo e poderoso. A menina então embarca em um tipo de caça ao tesouro pelo tempo juntamente com Carter para tentar descobrir onde sua mãe escondeu essa tal relíquia de família e salvar sua mãe.

You cannot fathom the distance I would travel for you.

Eu admito que tinha me animado muito com a proposta do livro, já que sou LOUCA por viagens no tempo (você pode me ver falar por muito tempo aqui sobre uma das minhas séries favoritas que envolvem isso). Isso ainda somado com o fato de existirem piratas (que eu também sou muito fã). Porém, acho que minha expectativa foi muito maior do que o livro realmente conseguiu atingir.

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Por um lado, gostei bastante dos dois personagens principais. Achei Etta uma menina forte que luta pelos seus ideais. Além disso, mesmo sendo jogada para uma realidade paralela e longe do conforto de casa, achei que a forma com a qual era reage parecia muito verosímil. Ela se apavora em alguns momentos? Com certeza. Mas mesmo assim ela luta pela família e tenta pensar que, assim que conseguir terminar essa caça ao tesouro, vai poder voltar para seu tempo e viver sua própria vida.

It’s our choices that matter in the end. Not wishes, not words, not promises.

E também gostei muito mesmo do Nicholas Carter. Achei que a autora tratou muito bem o tema de racismo ao longo das diferentes décadas pelas quais eles viajam e até por diferentes lugares no mundo. É muito interessante ver como a forma que o próprio personagem se vê é completamente diferente da que Etta o vê. Mesmo que ainda exista racismo hoje em dia, é nítida a diferença quando comparada com séculos anteriores.

E não apenas isso, mas gostei também da forma com a qual foi trabalhado o papel da mulher na sociedade que, assim como o racismo, também mudou muito ao longo dos anos. Quando Etta aterrissa no navio em 1776, ela se encontra em uma realidade muito longe da sua, na qual ela mal pode falar com qualquer um, deve usar roupas da época e não tem voz nenhuma dentro daquele ambiente.

Society is always the same, regardless of the era. There are rules and standards, with seemingly no purpose. It’s a hateful, elaborate charade, equal parts flirtation and perceived naïveté. To men we have the minds of children.

Por outro lado, achei o livro muito parado. Não estava esperando isso, mas demorei bastante para conseguir terminar ele. Não posso dizer que odiei esse livro, mas acho que esperava muito mais e acabei achando ele só ok. Uma coisa que me decepcionou, além do fato da leitura ser um pouco mais arrastada, foi que, quando cheguei na página final, descobri que não é um livro único, e sim o primeiro de uma série. Achei que a autora poderia ter resolvido tudo em um livro só, mas pelo jeito muitas coisas ainda irão acontecer.

De certa forma é bom, já que muitas coisas foram deixadas abertas e eu ainda tenho algumas perguntas sobre a forma com a qual eles viajam no tempo. Por outro lado, não fiquei muito ansiosa para ler a continuação no exato momento. Talvez quando ela lançar o próximo no ano que vem eu já tenha tido tempo o suficiente para ficar curiosa pela continuação.

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Passenger ainda não foi lançado aqui no Brasil e nem tem previsão. Porém, outros livros da autora já foram traduzidos, como a série Mentes Sombrias. Eu já comprei o primeiro volume e estou bem animada para ler logo logo. 🙂

Passenger
Autora: Alexandra Bracken
Páginas: 486
Editora: Disney-Hyperion

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