|Resenha| Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer

Já faz um bom tempo que eu estava atrás de Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer. Eu conheci esse livro primeiro como a indicação de praticamente todos os youtubers que eu gosto dizendo que esse livro era o melhor que eles tinham lido em muito tempo. Depois, eu vi no PopcornTime que ele já tinha uma versão em filme e fiquei bem curiosa. Quando eu descobri que podia retirar ele de graça com os pontos que tenho na Livraria Curitiba, não pensei duas vezes.

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Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer, do Jesse Andrews, conta a história de Greg, um menino de 17 anos que tem como o único objetivo de vida sobreviver sem ser visto durante todo o tão odiado ensino médio. Greg acredita que, se tiver pequenas conversas e dar oi para todo mundo mas nunca se aprofundar em nada, ele vai ser bem aceito por todos. Porém, isso também faz com que Greg não tenha nenhum amigo de verdade na escola. Isto é, com exceção de Earl.

Earl é um menino negro que tem uma família extremamente problemática; uma mãe que não sai de sites de encontro nem para trabalhar e meios-irmãos que as vezes vendem drogas para suprir a parte financeira da família. Greg considera Earl mais um “colega de trabalho” do que um amigo, principalmente porque quando estão juntos, gostam de fazer “remakes” de filmes famosos. Os dois meninos concordam que os filmes são horríveis, mas continuam fazendo e não mostrando para ninguém mesmo assim.

Durante seu último ano na escola, Greg é obrigado pela mãe a fazer visitas e ser um bom amigo para Rachel, que acaba de ser diagnosticada com leucemia. Mesmo contra sua vontade, Greg começa a interagir com Rachel e os dois, juntamente com Earl criam uma amizade. Com o tempo, Rachel vai piorando da doença e faz tratamentos como a quimioterapia, enquanto Greg e Earl fazem mais filmes para animar a menina que parece ser a única que realmente gosta dos remakes deles.

“- Oi.
– Ei.
– …
– Eu telefonei para o médico, e ele disse que você precisava de uma receita de Greg-acil.
– E isso é o quê?
– Sou eu.”

Esse livro não é um romance, como A Culpa É Das Estrelas. Ele gira em torno da amizade do trio e da grade dificuldade de Greg em ser uma pessoa sociável – já que fica claro desde o começo do livro que ele não é.

Um dos pontos interessantes do livro é o estilo da narração. O livro é escrito em primeira pessoa, com o ponto de vista de Greg. Além disso, ele não é uma narração contínua, visto que grande parte do livro é escrita por meio de diálogos longos, listas, entretítulos e até scripts de filmes. Isso tudo torna a leitura muito rápida e fácil, já que é muito bem espaçado.

“Então há uma chance de pensarem: ‘Sensacional! Vai ser uma história sábia e perspicaz sobre amar, morrer e crescer. Provavelmente vai me fazer chorar literalmente o tempo todo. Já estou muito empolgado!’ Se essa é uma representação fiel dos seus pensamentos, talvez vocês devessem jogar este livro na lixeira e, então sair correndo.”

Porém, mesmo com tudo isso, eu tenho que admitir que fiquei muito decepcionada com esse livro. Em uma melhor análise, a história é extremamente rasa e pode ser quase completamente descrita só por essa resenha aqui. Os personagens não tem nada de muito marcante ou diferente e o único que chega a chamar atenção em alguns pontos da narrativa é Earl. Também não há muita profundidade em histórias que poderiam ser melhor desenvolvidas, como a família de Earl ou a própria doença de Rachel, que é colocada em segundo plano.

Outra coisa que me deixou um pouco irritada nesse livro é o personagem principal. Além de ser extremamente egoísta e não fazer absolutamente nada para mudar isso, ele é colocado no livro como uma daquelas pessoas que faz piadas o tempo inteiro. O grande problema, para mim, é que eu não vi graça em quase nenhuma das piadas (ok, vou dizer que ri em duas ou três delas) e achei uma boa parte delas bem ofensiva. Foi um daqueles livros que eu, infelizmente, terminei de ler e não senti nada em relação a ele.

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Pooooor outro lado, o próprio autor do livro, Jesse Andrews, também escreveu a adaptação cinematográfica. E eu tenho que dizer isso, apesar de não ser perfeita (talvez porque me lembre muito um livro que eu não gostei tanto assim), é infinitamente melhor do que o livro. No filme, Greg não aparenta ser tão egoísta e Rachel se torna uma personagem com muito mais profundidade e ganha mais destaque. Pra quem ficou curioso, fica aqui o trailer:

Eu, Você e a Garota Que Vai Morrer
Autor: Jesse Andrews
Páginas: 288
Editora: Rocco

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