|Resenha| As Peças Infernais

Essa me parece a resenha mais difícil que eu vou escrever, já que essa trilogia é a minha favorita na vida. Parece que quando a gente gosta muito de uma coisa, nunca vai fazer juz à história, né? Mas eu vou tentar! 🙂

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As Peças Infernais é uma trilogia da Cassandra Clare que se passa mais de 100 anos antes da série dos Instrumentos Mortais. Ela é dividida nos livros: Anjo Mecânico, Príncipe Mecânico e Princesa Mecânica. Acontecendo no mesmo mundo dos Shadowhunters, a trilogia tem como cenário uma Londres da época vitoriana e mistura personagens muito mais maduros com o mesmo mundo que já conhecemos e amamos e uma pitada de steampunk.

Essa trilogia conta a história de Tessa Gray, uma menina que mora em Nova Iorque com a tia, mas que precisa se mudar para a Inglaterra atrás do irmão mais velho depois da tia falecer. Esperando encontrar seu querido irmão, Nate, quando desembarca no porto de Southampton, Tessa fica surpresa em se deparar com duas senhoras que dizem terem sido enviadas pelo menino. Sem conhecer nada nem ninguém, Tessa as segue.

Elas acabam sendo feiticeiras que prendem a menina e a submetem a uma série de tortura psicológica diária com o intuito de que Tessa aprenda a lidar com poderes que nem ela mesmo sabia que tinha. Apesar de esgotada com o suposto treinamento, Tessa continua fazendo o que as Irmãs pedem porque acredita que seu irmão corre risco de morte caso ela desobedeça os comandos. Ela descobre então que as senhoras foram contratadas por um tal de Magistrado, que pretende se casar com ela no futuro para usar e abusar de seus poderes.

Atendendo a suas preces, Tessa é resgatada por dois Shadowhunters da mesma idade que ela: William Herondale e James Carstairs. Eles levam Tessa para a proteção do Instituto de Londres, onde ela passa a conhecer os outros Shadowhunters que moram lá. Além de tentarem proteger Tessa do Magistrado, agora ela vai se unir aos Shadowhunters para conhecer mais sobre seus costumes, ideias e tentar resgatar Nate.

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A narrativa dos três livros é muito bem distribuída e mostra essa busca da Tessa por respostas sobre quem ela é afinal, quem são seus pais e por que ela tem esses poderes que ninguém mais no mundo parece ter. Além disso, ela também se apaixona por esse mundo de fadas, vampiros, lobisomens e feiticeiros que contam com a presença de Shadowhunters para tentar manter o equilíbrio entre os humanos, demônios e seres do submundo.

Seja como você for fisicamente – disse ele -, homem ou mulher, forte ou fraco, doente ou saudável, tudo isso importa menos do que o que há em seu coração. Se tiver a alma de um guerreiro, você é um guerreiro, Independentemente da cor, da forma, do tom que a envolve, a chama do lampião permanece a mesma. Você é essa chama.

Tessa é uma personagem muito forte e determinada. Além disso, sua paixão por livros faz com que a narrativa esteja em constante paralelo com clássicos da literatura, já que a menina está sempre comparando suas situações com pedaços de livros como O Morro dos Ventos Uivantes, Um Conto de Duas Cidades, Jane Eyre e até Orgulho e Preconceito. Estas ligações enriquecem tanto a escrita quanto a própria personagem e seu desenvolvimento. À medida em que Tessa cresce e amadurece, ela também muda os personagens dos clássicos com os quais se compara.

Outro personagem que também se apega bastante aos clássicos é Will, que tem uma runa permanente que o faz capaz de decorar citações de livros e nunca mais esquece-las (O QUÃO SENSACIONAL É ISSO? QUERO PRA MIM, JÁ!). Will, que nasceu no País de Gales, é um personagem que traça um paralelo com o Jace, dos Instrumentos Mortais. Porém, Will é uma versão mais madura e menos choramingona do Jace – apesar dele ter seus momentos. Em uma primeira olhada, Will é extremamente sarcástico, audacioso e astuto. Também gosta muito de fazer piadinhas e zombar das outras pessoas. Porém, o passado de Will é o que realmente intriga a todos, já que ele aparenta ter algo escondido à sete chaves que o faz ser quem é hoje.

E o terceiro – mas não menos importante – personagem principal é Jem. Querido, doce e encantador Jem. Ele possui fios de cabelos brancos, pele quase transparente e uma doença que o enfraqueceu com o tempo, também devido à uma infância difícil. Ao contrário de Will, Jem não deixou o passado o tornar amargo, ele aceitou sua situação e trata a todos com muita bondade e carinho. É praticamente impossível não se apaixonar pela delicadeza e amor que ele passa em todos os momentos dos livros.

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Will e Jem são melhores amigos. Mais do que isso, por terem encontrado quando ainda crianças um apoio surreal no outro para lidar com seus problemas do passado, os dois resolveram se tornar Parabatai. Para quem ainda não leu nada da Cassandra Clare, Parabatai é quando dois Shadowhunters fazem um ritual que une suas almas para sempre. É um laço que força nenhuma pode separar, muito além de amigos ou irmãos, eles irão até o inferno para defender um ao outro.

Se existir outra vida depois dessa – falou -, permita-me encontrá-lo, James Castairs

A grande trama é feita quando tanto Will quanto Jem se apaixonam por Tessa. A menina, por sua vez, acaba se apaixonando pelos dois ao mesmo tempo. E não, querido leitor, não é mais um daqueles triângulos amorosos que você está cansado de ver e que sabe com quem a menina vai ficar no final. Cassandra Clare amarrou todas as pontas para te fazer se apaixonar também pelos dois meninos junto com Tessa e ela vai brincar com suas emoções e quebrar seu coração em pedacinhos enquanto te faz perceber que não há uma solução aparente para esse problema.

Mas não se preocupe, tudo se resolve no final. (Eu disse que a Cassandra é boa em amarrar todas as pontinhas no final e não deixar nada pra gente sofrer). O último livro da série, Princesa Mêcanica, inclusive é o melhor de todos em fazer exatamente isso: encaixar todas as peças que você imaginava estarem sobrando. É quase uma montanha russa de emoções: você começa com a narrativa crescendo, de repente tudo está de ponta cabeça e girando até que a adrenalina é tamanha que você não sabe mais se quer descer.

A medida do amor é amar sem medida

Por fim, também podemos ver a origem de famílias que conhecemos nos Instrumentos Mortais, como os Lightwoods, Fairchilds, Herondales e Carstairs. Isso tudo com a ilustre presença marcante do nosso feiticeiro favorito: Magnus Bane. <3

É lindo ver como a Cassandra Clare conseguiu unir perfeitamente as duas séries e trazer elementos e personagens que nós já conhecíamos de Instrumentos Mortais ao mesmo tempo em que costura no passado intrigas que serão melhor desenvolvidas no futuro e em séries que ainda vão ser lançadas. Um dos pontos mais fortes dessa trilogia pra mim foi exatamente ser surpreendida por personagens que eu nem imaginava ter tamanha importância e que fizeram meu mundo virar de ponta cabeça quando foram revelados e quando entendi a real importância deles para o mundo dos Shadowhunters, seja em As Peças Infernais ou nos Instrumentos Mortais.

Vou parar por aqui, porque não quero revelar spoilers e nem cansar ninguém, mas eu poderia falar sobre essa série e fazer análises por horas e horas.

Para quem se interessar, eu fiz um post aqui sobre a Londres vitoriana da Cassandra Clare e coloquei fotos minhas de quando tive a oportunidade de conhecer a Igreja que inspirou a autora na criação do Instituto de Londres e a ponte que a levou a escrever essa trilogia maravilhosa. <3

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