|Resenha| Almanova

Imagine que depois que as pessoas morrem, elas reencarnam e se lembram de tudo o que aconteceu na vida passada. Mais do que isso, uma sociedade inteira de humanos se lembrando de suas vidas passadas durante cinco mil anos. Parece um mundo em que, ou vai dar tudo muito certo, ou tudo muito errado.

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É essa a premissa do livro Almanova. Os humanos sempre são os mesmos e reencarnam se lembrando de tudo o que viveram na última vida. Depois de anos se desenvolvendo, eles aprenderam a viver em sociedade e agora moram em uma cidade chamada Heart, que é rodeada por muros brancos que pulsam com vida.

Porém, uma das almas, Ciana, morre e não reencarna. Pela primeira vez em cinco mil anos, uma alma nova nasce em seu lugar, Ana. Ela fica marcada como o símbolo de uma quebra de padrões milenares e ninguém aceita muito bem sua vinda para esse mundo. Assim, seu pai abandona a família quando Ana nasce e a mãe resolve criar Ana para fora dos muros da cidade, longe de todos que possam julga-las. Mas não se engane, a mãe de Ana não faz isso por bondade e nem é essa pessoa pura que parece ser. Pelo contrário, ela trata a menina muito mal e passa os dias jogando na cara de Ana que ela não merecia estar onde está hoje, que ela matou Ciana e que ela é uma sem-alma.

O livro começa no dia do aniversário de 18 anos de Ana, quando ela decide sair de casa e ir para Heart procurar nas bibliotecas dos antigos e sábios um pouco mais sobre a história dos humanos e tentar entender por que, afinal, ela nasceu e qual é a sua função na sociedade.

É no caminho para Heart que Ana encontra alguns seres místicos feitos de sombra e fumaça e que queimam humanos ao toque, as sílfides. Fugindo de uma delas, a menina é resgatada por Sam, um humano que, assim como todas as outras almas do reino de Range, também se lembra dos cinco mil anos de história da cidade. Os dois se juntam então para tentar procurar as respostas que sempre assombraram a vida de Ana.

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O livro se desenvolve muito bem depois dos primeiros capítulos e o romance entre Ana e Sam é muito fofo de ler, todo embasado pelo amor dos dois por música. Além disso, é muito interessante ver o relacionamento entre Sam, que possui uma história milenar, e Ana, que parece não entender muito bem como nada funciona.

Você faz com que eu sinta dor em lugares que nem são físicos.

Ao mesmo tempo em que é um simples romance distópico, o livro também incita perguntas aos leitores sobre como a sociedade se comporta. Com o desenrolar da narrativa, o leitor passa a se perguntar se, afinal, é bom mesmo ou não que as pessoas se lembrem de erros passados, o quão amargas isso as torna, e de que forma elas reagem quando uma pessoa nova é inserida neste contexto.

Eu gostaria que Ana fosse uma personagem um pouco mais forte, mas entendo que ela seja extremamente dependente por ter vivido anos de abuso em casa. Mesmo assim, ela chega para mostrar que nem sempre é bom viver o tempo inteiro de passado e dar uma nova perspectiva para a sociedade que aponta para o futuro e como as coisas podem vir a ser.

As coisas simples são geralmente as mais desafiadoras.

Apenas duas coisas me incomodaram um pouco neste livro: a primeira é a existência de seres fantásticos neste mundo, como dragões, sílfides e trolls. Acho que a história já tinha força o suficiente com os padrões humanos e não senti a necessidade de outros seres. A segunda coisa que me incomodou foi o fato de que as primeiras 70 páginas aproximadamente se passaram muito rápido. A narrativa parece ser apressada e a autora parece correr com a história sem deixar muito claro o que está acontecendo. Apesar disso, depois dos primeiros capítulos, achei que ela conseguiu encontrar um ritmo melhor que faz com que o livro flua.

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Eu comecei essa leitura com um pé atrás e um pouco apreensiva porque não tinha certeza se essa temática toda de almas iria me interessar. Mas fiquei muito surpresa quando devorei o livro e me peguei pensando em como será que toda essa história ia continuar. A trilogia Incarnate inteira já foi publicada aqui no Brasil pela Editora Valentina e eu tenho que dizer que achei essas capas maravilhosas, vão ficar lindas na minha estante! <3

Almanova
Autora: Jodi Meadows
Páginas: 288
Editora: Valentina

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