|Resenha| A Rebelde do Deserto

A Rebelde do Deserto – A Rebelde do Deserto #1
Autora: Alwyn Hamilton
Páginas: 288
Editora: Seguinte

O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por revelar a ela o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

Eu andava procurando livros que usem um pouco de mitologias diferentes ultimamente e, quando descobri todo esse lado de cultura árabe, fiquei super interessada. Ainda mais quando soube que esse livro tinha alguns elementos diferentes agregados a tudo isso.

O livro conta a história de Amani, uma menina órfã que vive na Vila da Poeira, uma cidadezinha no meio do deserto que é famosa por ser muito pobre e violenta. Por conta disso, a menina aprendeu desde cedo a atirar muito bem e ter uma mira beirando a perfeição. Porém, se vendo presa nessa situação, Amani decide seguir seu sonho de poder fugir para uma das cidades grandes, que sempre aparecia nas histórias contadas pela mãe quando mais nova.

Tentando escapar da Vila da Poeira, Amani se veste de garoto e se inscreve em uma competição de tiro para ganhar dinheiro o suficiente para uma passagem de trem. Durante a competição, um estranho se manifesta a favor do príncipe rebelde Ahmed e todo o lugar vira uma imensa confusão. Saindo de lá com a ajuda de um forasteiro que era um dos outros competidores, Jin, Amani vê sua vida virar de ponta cabeça e tudo o que sempre pareceu tão certo e almejado na vida dela vai ser colocado a prova.

Você é uma ótima mentirosa. Para alguém que não mente.

Tudo isso misturado a um mundo em guerra por poder e pela pouca magia ainda existente. Amani vai passar por muitas aventuras, conhecer pessoas completamente diferentes dela e até ter contato com seres mágicos que ela nunca tinha tido visto fora das histórias contadas nas cidades.

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O ponto mais forte da narrativa inteira foi definitivamente todo esse cenário criado. Além de usar o deserto e grande parte da cultura árabe, a autora teve a brilhante ideia de usar elementos de faroeste no mesmo mundo. O fato de Amani ser uma ótima pistoleira e de essa ser a principal arma nas batalhas parece que nunca iria se encaixar com uma sociedade árabe, mas curiosamente, virou o casamento perfeito de elementos!

Comparado com outras fantasias jovem adulto, tenho que admitir que um dos pontos fortes é que a leitura é super rápida. Apesar de ser uma fantasia e, por isso, é esperado que tenham várias descrições compridas e um pouco mais lentas, esse livro foge do padrão e serve muito bem pra um público que talvez não seja tão fã daquelas fantasias clássicas e prefira algo mais moderno.

Achei  que o livro tinha muito potencial, principalmente por tratar de tantos temas com grandes debates públicos, como desigualdade social, guerras religiosas e o papel da mulher na sociedade – que nesse caso, é o mais inferior possível. Porém, não achei que a personagem principal foi forte o suficiente para ser uma líder de movimento ou até ir contra todos estes debates. Ela, na verdade, me pareceu querer muito mais fugir de tudo isso do que propriamente fazer uma diferença.

Quase havia esquecido a sensação de ser uma garota em Miraji. Eu desaparecia na multidão, mas de um jeito diferente de quando me vestia de garoto. Não porque era igual a todos os outros, mas porque como garota eu não importava.

Na verdade, meu grande problema nesse livro foi a própria personagem principal. Eu imaginava que Amani teria começado o livro como uma mulher oprimida pela sociedade e por sua classe social e daria um jeito de ascender dentro de todo esse problema. Porém, tudo o que eu vi o tempo inteiro foi ela fugindo de tudo e todos sem nem pensar em como seus atos poderiam afetar seus próprios amigos. Além disso, todo o desenvolvimento e crescimento que eu esperava que ela tivesse só foram impulsionados por outros personagens e nunca partia dela mesma.

Também entrei no livro esperando que ele fosse volume único, mas descobri que é apenas o primeiro de uma série – outra coisa que me desmotivou; cadê os volumes únicos nesse mundão, gente?

Porém, feitas minhas devidas críticas, precisamos parar algum tempo pra analisar o quão LINDA e MARAVILHOSA ficou essa capa. Confesso que foi um dos grandes motivos que me atraiu a esse livro e nem me arrependo de dizer isso haha

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Sei que a grande maioria das pessoas tem uma paixão avassaladora por esse livro, mas eu infelizmente não achei nada de inovador – eu pareço ter o mesmo problema com A Rainha Vermelha. Apesar de eu não ter me apaixonado loucamente pelo livro, é com certeza uma leitura rápida e ótima pra quem procura um livro de fantasia ou jovem adulto pra passar o tempo.

One thought on “|Resenha| A Rebelde do Deserto

  1. Oi Bruna,

    você pode fazer um post contando um pouco da sua experiência lendo em inglês?
    Eu falo e sou professora de inglês, inclusive leio bastante coisa na universidade, mas tenho um certo bloqueio com literatura em inglês… Não sei bem a razão.
    Tenho animado mais depois que comecei a acompanhar seu blog e ver seus vídeo.. =D

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