O Hotel

Hoje, exatamente um ano depois de eu pisar pela primeira vez em Londres, nada mais justo do que essa foto para representar meu ano. Nada melhor do que o lugar onde tudo começou, 12 anos atrás. Uma sutileza que inspirou um sonho e mil possibilidades que eu achei que nunca ia ver de verdade.

Foi no terceiro andar desse hotel que dois músicos passaram dias a fio trancados e criando seu primeiro álbum. Álbum esse que me ajudaria em muitos anos pra frente, que vem me acompanhando desde os meus 13 anos e que começou a moldar meus sonhos aos poucos.

E foi só nas minhas últimas semanas, depois de descer inúmeras vezes na Estação Victoria, passar pelo Buckingham Palace e cruzar o Green Park, que eu percebi que esse era o hotel. Aquele que começou tudo e que sempre esteve lá presente nas minhas idas para Londres, mesmo eu nunca reparando nele.

Viajar pra Inglaterra foi muito mais do que apenas seguir um dos meus sonhos. Foi meu modo de sair. Sair do país, da cidade, dos mesmos problemas, da rotina, de olhar pra fora da janela e ver sempre a mesma coisa. Foi uma mudança de perspectiva, foi encontrar novos problemas pra me preocupar.

Acho que todo intercâmbio é uma jornada. Desde o momento em que você resolve viajar até o momento em que você se encontra. E não necessariamente você se encontre nesse novo destino, mas entende que o processo da viagem foi mais importante. Talvez você descubra que nunca pertenceu à sua cidade natal, ou talvez morando fora você finalmente entenda que não há outro lugar no mundo que você chamaria de lar além da cidade onde nasceu.

Beyond Blue Doors (ou além das portas azuis) é e sempre vai ser uma mescla muito bem feita de tudo o que eu aprendi, vivi e fiz na Inglaterra. Mas sempre vai ser também toda a cultura brasileira que eu tinha quando cheguei lá. É cada experiência que o jeitinho brasileiro proporcionou numa terra onde as portas das casas de tijolos são azuis e se bebe chá com leite (e onde você descobre que, só porque é diferente, não quer dizer que seja ruim). É o resultado do que um ano morando fora teve em mim e em quem eu sou hoje.

Eu achei recentemente uma frase nas minhas anotações antigas que eu acho que resume muita coisa desse último ano:

“It’s not about flipping a coin, it’s about what you’re wishing for when it’s in the air.”

(“Não é sobre jogar uma moeda, é sobre o que você está desejando enquanto ela está no ar.”)

Não é necessariamente sobre o intercâmbio, a viagem, as experiências em si. É sobre o que você descobre sobre você mesmo e sobre as pessoas ao seu redor enquanto você está embarcando em uma viagem completamente diferente de tudo o que você já passou. É entender, enquanto a viagem acontece e a moeda está no ar, que você sempre soube o que queria, só precisava de um empurrãozinho.

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