|Resenha| O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares

Esse livro é diferente de tudo o que eu já li. Antes de comprar ele, eu achei que era de terror. Depois, quando comecei a ler, achei que poderia ser suspense. Lá pela metade eu já tinha certeza que não era terror nem suspense, mas não tinha um bom palpite ainda. Eu terminei tudo sem saber o que dizer; romance? Aventura? Um pouco de Tim Burton? Peter Pan e as crianças perdidas? Mistério? Não, acho que só tem uma palavra boa o suficiente para descrever: Peculiar.

O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares não é nada do que você imagina que vai ser, por mais criativo que você seja. É um daqueles livros que te pega de surpresa e te deixa preso nele até o final só pra você descobrir se estava certo ou não e de que forma essa maluquice toda vai acabar.

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O livro conta a história de Jacob e de seu avô paterno, Abraham. Abe, como é conhecido, mora em uma cidadezinha quente do interior da Flórida em uma casa separada do filho e do neto. Ele tem a fama pela cidade de ser completamente maluco e mal compreendido pelas pessoas da sociedade e de sua família, mas não pelo seu neto.

Jacob sempre idolatrou o avô, desde criancinha. Toda essa admiração vem de quando Abe contava histórias fantástica sobre como era viver no orfanato da Srta. Peregrine durante grande parte de sua infância. Sendo um polonês refugiado da Segunda Guerra Mundial em uma pequena ilha afastada do País de Gales, Abe morava em um orfanato onde as crianças não eram normais, cada uma tinha uma peculiaridade, como levitar, ser invisível ou controlar o fogo.

Porém, depois de uma conversa séria com seu pai, Jacob começa a crescer e desacreditar nessas histórias fantásticas e passa a ver o avô como um heroi de guerra que perdeu a família inteira muito cedo e teve que fugir e recomeçar uma vida nova em outro lugar. Ele ainda admira muito o avô também por colecionar fotografias bizarras e inventar histórias para mascarar o passado triste que viveu.

“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo.”

A trama começa a se desenrolar de verdade quando Jacob recebe um estranho telefonema no trabalho de seu avô, completamente perturbado, insistindo que alguém tinha o encontrado e que todos deveriam manter a distância. Depois da segunda ligação, Jacob resolve ir até a casa de Abe e ver o que está acontecendo. Porém, quando chega lá, encontra o avô morto em um bosque atrás da casa, quase completamente mutilado. É uma cena muito além de sua imaginação e, ao olhar para o lado, Jacob vê uma criatura que se assemelha à um humano, mas que tem tentáculos saindo de sua boca.

Traumatizado com toda a situação e depois de várias sessões de terapia, Jacob passa a se perguntar se todas as histórias do avô não teriam, afinal, um fundo de verdade. Seguindo pistas, cartas e fotografias deixadas pelo avô, Jacob embarca em uma viagem tanto para conhecer melhor o passado do avô quanto para entender a si mesmo. Ele vai para o País de Gales atrás do misterioso orfanato e encontra muito mais do que poderia esperar encontrar e se vê preso em uma história muito, mas muito peculiar.

“Mas o que eu realmente achei assustador não foram as bonecas zumbis ou os cortes de cabelo estranhos das crianças ou como elas pareciam não sorrir nunca: quanto mais examinava as fotos, mais familiares me pareciam.”

O livro tem um desenvolvimento incrível, principalmente por usar um pouco de suspense e mistério para deixar o leitor cada vez mais curioso para entender o que, afinal, está acontecendo. Enquanto eu lia, tudo o que eu conseguia pensar era em quanto esse livro me lembrava obras do Tim Burton, que sempre cria mundos onde não há terror, mas sim uma mistura bizarra de elementos aleatórios de suspense e peculiaridade que se encaixam curiosamente bem.

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O grande bônus do livro vai, além das ótimas descrições de cenários, para as fotos que completam a narrativa. Durante todo o livro há fotos de todos os personagens peculiares que são descritos para completar o tom sombrio da narrativa.

“Sempre soube que era estranho. Nunca sonhei que fosse peculiar.”

Esse é apenas o primeiro livro de uma trilogia que já foi publicada na íntegra nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, a Editora Leya acabou de publicar o segundo, Cidade dos Etéreos em uma edição linda de capa dura.

Também não posso deixar de comentar a maior peculiaridade desse livro e que mais me chamou a atenção: a forma como ele foi escrito. O autor, Ransom Riggs, na verdade colecionou essas tais fotografias super bizarras e, depois de ter várias, ele escreveu toda a narrativa dos três livros baseada nelas, dando uma história para cada uma dessas pessoas que apareciam nas imagens. Legal, né?

Outra novidade incrível sobre esse livro é que foi feita uma adaptação cinematográfica que estreia esse ano ainda. E adivinhem só quem assumiu a direção do filme? Isso mesmo, ninguém mais, ninguém menos do que o próprio Tim Burton. Realmente não consigo ver outro diretor que iria transformar esse livro em filme melhor do que ele, o que me deixa muito ansiosa para o filme. O elenco conta também com a participação de muitos atores bons e conhecidos, com destaque para Samuel Jackson. Pra quem ficou curioso, fica aqui o trailer:

O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Páginas: 336
Editora: Leya

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